Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

De quando os idiotas apenas faziam filhos

nelsonrodrigues1 «Falei da ascensão do idiota. No passado, eram os "melhores" que faziam os usos, os costumes, os valores, as ideias, os sentimentos, etc. etc. Perguntará alguém - "E que fazia o idiota?". Resposta: - fazia filhos (...) E, de repente, tudo mudou. Após milénios de passividade abjeta, o idiota descobriu a própria superioridade numérica. Começaram a aparecer as multidões jamais concebidas. Eram eles, os idiotas. Os "melhores" se juntavam em pequenas minorias acuadas, batidas, apavoradas. O imbecial, que falava baixinho, ergueu a voz; ele, que apenas fazia filhos, começou a pensar. Pela primeira vez, o idiota é artista plástico, é sociólogo, é cientista, é romancista, é prémio Nobel, é dramaturgo, é professor, é sacerdote. Aprende, sabe, ensina. No presente mundo, ninguém faz nada, ninguém é nada, sem o apoio dos cretinos de ambos os sexos. Sem esse apoio, o sujeito não existe, simplesmente não existe. E, para sobreviver, o intelectual, o santo ou herói precisa imitar o idiota. O próprio líder deixou de ser uma selecção. Hoje, os cretinos preferem a liderança de outro cretino.» (Crónicas de Nelson Rodrigues).

Copiado do Novo Eclético, aliás, um excelente blog.

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