sexta-feira, 26 de março de 2010

Medida comum de excelência em literatura (T.S.Eliot)

eliot (1) “É preciso lembrarmo-nos de que, como a Europa é um todo (…), assim a literatura europeia é um todo, de que os diversos membros não podem florescer se a mesma corrente sanguínea não circular através de todo o corpo. A corrente sanguínea da literatura europeia é latina e grega – não como dois sistemas circulatórios, mas como um só, pois é através de Roma que deve reconstituir-se a nossa ascendência grega. Que medida comum de excelência temos em literatura, entre as nossas diversas línguas, que não seja a medida clássica.”

[T. S. Eliot, “O que é um clássico? (1944)” in Ensaios Escolhidos, Lisboa, Cotovia, 1992]

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Os peixes do pavor

“Foi nessa altura (pensou) que resolveu ser psiquiatra a fim de morar entre homens distorcidos como os que nos visitam nos sonhos e compreender as suas falas lunares e os comovidos ou rancorosos aquários dos seus cérebros, em que andam, moribundos, os peixes do pavor.” (António Lobo Antunes - Conhecimento do Inferno, pág. 14)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

De quando os idiotas apenas faziam filhos

nelsonrodrigues1 «Falei da ascensão do idiota. No passado, eram os "melhores" que faziam os usos, os costumes, os valores, as ideias, os sentimentos, etc. etc. Perguntará alguém - "E que fazia o idiota?". Resposta: - fazia filhos (...) E, de repente, tudo mudou. Após milénios de passividade abjeta, o idiota descobriu a própria superioridade numérica. Começaram a aparecer as multidões jamais concebidas. Eram eles, os idiotas. Os "melhores" se juntavam em pequenas minorias acuadas, batidas, apavoradas. O imbecial, que falava baixinho, ergueu a voz; ele, que apenas fazia filhos, começou a pensar. Pela primeira vez, o idiota é artista plástico, é sociólogo, é cientista, é romancista, é prémio Nobel, é dramaturgo, é professor, é sacerdote. Aprende, sabe, ensina. No presente mundo, ninguém faz nada, ninguém é nada, sem o apoio dos cretinos de ambos os sexos. Sem esse apoio, o sujeito não existe, simplesmente não existe. E, para sobreviver, o intelectual, o santo ou herói precisa imitar o idiota. O próprio líder deixou de ser uma selecção. Hoje, os cretinos preferem a liderança de outro cretino.» (Crónicas de Nelson Rodrigues).

Copiado do Novo Eclético, aliás, um excelente blog.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Sobre a natureza e a solidão

1209261 A natureza sufoca o homem primitivo como a cultura o homem hodierno. Mas um é o remédio do outro. A cultura libera o espírito até então subjugado às forças da natureza; e a natureza é o remédio do excesso de cultura, devolvendo-lhe a solidão, solidão perdida que, encontrada, devolve-o a si mesmo. O homem do campo nos ensina a solidão, porque está só com a natureza, como o filósofo com Deus.clip_image001

|Louis Lavelle - Sobre a natureza e a solidão|

Link para o texto completo.